domingo, 17 de abril de 2011

Tudo é uma questão de referência...



Cada vez tenho me dado mais conta do quanto as referências que temos nos influenciam...
Tenho estado muito atenta a isso... Nesta viagem principalmente, a diversidade nos traz muitas novas referências e desta forma vejo a vida tornando-se cada vez mais ampla!
Quantas pessoas interessantes tenho conhecido aqui, formas de viver que me fazem rever vários conceitos que tenho... Que bom que é me sentir assim, em mutação, sinto na minha frente um horizonte com muito mais possibilidades do que antes.

Resolvi escrever sobre isso porque de fato é algo que venho refletindo... Percebendo em mim, o quanto tenho aprendido com os outros, o quanto o outro tem me feito entender mais sobre mim... 

Hoje viajei 9hs ao lado de um senhor de 81 anos, com certeza mais uma referência que levo comigo... Um senhor encantador, um alemão que vive na Argentina faz 50 anos, em Bolsón, a cidade que eu estava antes. Viemos conversando bastante. Ele foi me contando da vida dele, e eu cada vez admirando mais aquele senhor, que viajava neste momento sozinho e me relatava de seus trekkings pela Patagônia... Ficou muito curioso quando contei da Chapada Diamantina e então abri meu computador para lhe mostrar algumas fotos... Logo depois, ele também abriu seu laptop e começou a me mostrar fotos de suas aventuras. Definiu-se como um grande aventureiro, que gosta de caminhar e andar à cavalo no meio da natureza, é casado com uma mulher 8 anos mais velha que ele... Conversamos sobre várias coisas, entre elas a velhice, ele me falou que não basta só fazer esporte, tem que fazer coisas que o faça pensar coisas novas!

E eu o defino como uma referência que levarei sempre comigo, como uma pessoa que me fez enxergar a velhice de uma forma mais bela. Que bom!

O de verde...

Me mostrando suas aventuras...

sábado, 16 de abril de 2011

Um mês de viagem, um mês de Argentina!

Aqui estou, em El Bolsón. Neste momento sentada numa cervejaria, com todos os tipos de cervejas artesanais! Acho que até eu terminar de carregar as fotos já estarei bêbada, a internet aqui também é bem lenta...
Hoje faz um mês que sai do Brasil, termino minha viagem pela Argentina agora, amanhã cedo pego um ônibus rumo a Valdivia (Chile), e começo minha aventura Chilena! Pretendo ir para o Deserto do Atacama, mas quero parar em alguns lugares pelo caminho... Peguei umas dicas por aqui e acredito que minha primeira parada no Chile, depois de Valdivia será La Serena. Vamos ver...
Passei bem estes dias aqui em Bolson, mas confesso que foi o primeiro momento um pouco melancólico da viagem, peguei uns dias de chuva, bastante frio e fiquei bem isolada da civilização! 
Dormi a primeira noite num albergue e depois fui prá casa da Eli, irmã de Lili minha amiga de Piramides. Eli tem 57 anos, vive aqui faz mais de 20, numa cabana no meio do nada! Prá fazer uma idéia, nenhum taxi da cidade conhecia a região, eu precisava ligar prá que ela falasse com o taxista e explicasse o caminho, é bem isolado mesmo. O que é bom, mas por outro lado conheci pouco dos arredores de Bolson. Mas conheci muito sobre o dia a dia dela, para tomar banho precisávamos colocar lenha para esquentar a água, portanto, neste frio, precisava decidir tomar banho algumas horas antes de fazê-lo. Cozinhei, curti bastante a neta dela, que mora numa cabana ao lado com sua mãe, filha de Eli.
O lugar que moram é lindo, do lado de uma lagoa e vizinha de um vinhedo... Ontem fizemos uma caminhada até lá.
Aqui algumas fotos do que tenho vivido...


Bêbado que me pediu para tirar uma foto dele...

Eli e as árvores coloridas

Colhendo maçã

Lorena (filha de Eli) colhendo nozes

Bolsón

Bolsón


os netos...

minha amiga!

Eli...




macarrão que fiz, com molho de roquefort... hummm



Eu e Eli pedindo carona prá voltar prá casa...

A lua... linda!


Esquentando a água pro banho... Eu queimei minha mão!


uvas!

o lugar do Vinhedo...





provando as uvas... Doces, deliciosas!

amora silvestre por todo lado!





A casa de Eli...

acompanhando as músicas brasileiras...

a neta fazendo percussão...rsrs

A lagoa de Hoyo, do lado da casa

apreciando e quase congelando...

A cabana de Lorena ( filha de Eli)

segunda-feira, 11 de abril de 2011

A caminho de El Bolsón, mais um espisódio...

Ontem, dia 10/04 às 21h30 peguei o onibus em Puerto Madryn com destino à El Bolsón.
A Bia me levou na rodoviária, e me aconselhou assim: umas 6h da manhã o onibus faz uma parada em Esquel, uma outra cidade, neste momento quase todos descem do onibus, aproveite para ir para parte de cima e sentar nas poltronas panorâmicas para ver a vista, vale a pena, tem mais umas 2h até chegar em Bolsón.

Então, assim como me aconselhou minha amiga... Umas 6h30 da matina, o onibus completamente vazio como tinha me dito, me acomodei na tal poltrona panorâmica. Eu estava toda feliz sentada lá, posta para "mirar la vista"quando uma pessoa me cutuca, o sr. moço encarregado pelo onibus e fala muito grosso comigo, me manda voltar já para minha poltrona. Eu perguntei por que e pedi para ficar lá para ver a vista, uma vez que quase não tinha ninguém, ele não hesitou em dizer não, disse com a boca cheia e falou que se eu quisesse mudar de lugar eu deveria ter pedido para ele, e com toda sua GRANDE AUTORIDADE me mandou voltar para o meu lugar, literalmente.


Assim acatei a ordem do moço, sem mais questionar. Apreciei a vista do meu lugarzinho, que estava demais de linda, com uma luz maravilhosa











Umas 2h horas depois, quase 9h da manhã chegamos no destino, El Bolsón. Desci para retirar a mala e expliquei pro outro moço das malas que eu não tinha encontrado o papelzinho, que quando subi no onibus em Madryn percebi que o papel não estava comigo... Mas achei que não tivesse problema, este moço das malas solicitou o outro, o tal moço autoritário de antes, que ordenou de longe que fechasse o porta malas e que então não me entregasse, que eu ficasse sem mala.

Não acreditei! Até porque ele mesmo tinha visto minha mala em Madryn quando eu entreguei e sabia que era minha. Respirei fundo, fui até onde ele estava e com toda verdade do meu coração falei para ele assim:
Me desculpe por não ser argentina, me desculpe por ser brasileira, onde vivo sou acostumada a ser muito bem tratada o tempo todo, não sei como fazer aqui, está muito difícil para mim. No Brasil as pessoas são felizes, querem ajudar!


Assim resgatei minha querida mochila e sai caminhando pela cidade, mais uma vez muito feliz de ser brasileira!

Sabe... não sou o tipo que só dou valor quando estou longe do meu país, sou uma brasileira eternamente apaixonada pelo Brasil. Quanto mais viajo mais me aproprio do que é nosso, das belezas que temos e acima de tudo da alegria do nosso povo. Tenho orgulho de ser brasileña!!!

Hasta la vista...
Amanhã vou colocar mais fotos daqui, que lugar lindo!